“Todo Mundo em Pânico” retorna aos cinemas com o sexto filme (que não foi numerado no título) e representa tanto uma continuação como um soft-reboot. A Paramount Pictures nos convidou para assistir antecipadamente e aqui está nossa crítica.
A nova produção retornou às mãos dos irmãos Wayans, responsáveis pelos dois primeiros filmes (e os mais adorados pelo público). Retornam também as protagonistas Cindy e Brenda, interpretadas por Anna Faris e Regina Hall.
Na nova trama, tudo se passa vinte e seis anos depois do primeiro ataque do assassino mascarado. Ele retorna, sua identidade é um mistério. E seus alvos novamente são Shorty (Marlon Wayans), Ray (Shawn Wayans), Cindy e Brenda.
Como já é de praxe, o filme é abarrotado de piadas. Uma atrás da outra. Não dá tempo de respirar.
As referências a outros filmes acontecem a todo momento e não fica restrito apenas ao gênero de terror. Os maiores sucessos da atualidade são citados de alguma forma e eu diria que os irmãos Wayans até mesmo fizeram um aceno aos brasileiros que curtem seus filmes.
Em termos de enredo, ele não é complexo. Sua simplicidade vem pelo fato de que tudo é para ser apenas uma comédia. Assim como nos filmes anteriores, a história não é para levar a sério e o que mais chama atenção mesmo é a volta dos personagens clássicos tão amados pelos fãs.
Existe uma nova leva de personagens mais novos, como as filhas da Cindy e seus amigos da escola. De início, você entende que se trata de uma passagem de bastão para a nova geração, mas será que é mesmo?
Existe uma brincadeira com o atual estado das produções hollywoodianas. Com seus excessos de remakes, reboots, sequels, prequels, spin-offs. E assim, parodiam cenas, tiram sarro de personagens famosos (e também dos flopados).
Várias questões sociais e políticas atuais também aparecem de forma escrachada no filme. Até a pandemia de covid não escapou. Fica nítido que os irmãos Wayans quiseram atirar para todos os lados. Eles provavelmente tiveram a ideia de agradar todo mundo, já que pelo menos em alguma parte do filme a pessoa pode se identificar.
Mas não digo que esse seja um filme “isentão”, porque a questão do racismo é bem reforçada a todo momento. Muito mais do que era visto nos outros filmes.
O que liga as piadas de críticas e as de referências são as comuns. Aquelas de situação ridícula, com alguém caindo ao fundo, mostrando um consolo, fumando alguma droga. Eu não sei se eu apenas virei um velho chato, mas não achei essas piadas tão legais quanto antigamente. Eu me diverti mais com os primeiros filmes da série, no geral.
Em todo caso, os roteiristas se esforçaram muito para manter as piadas da forma mais constante possível. Algumas são até bem pesadas, envolvendo religião ou crianças. E não estou dizendo que as piadas são ruins por serem pesadas. Porque em vários momentos o filme acerta na comédia, porém, em outros apenas não funciona.
Na sala onde eu assisti, a reação do público foi mista. Durante as piadas mais engraçadas, metade da sala ria com vontade (mais ou menos).
Algumas referências a outros filmes eu acabei não entendendo de cara porque não consigo ver tudo que é lançado. Mas, acho que tudo acaba sendo bem contextualizado.
Uma das filhas da Cindy, a Waldinha, é obviamente inspirada na Wandinha da famosa série da Netflix. Eu passei o filme todo lendo Wandinha na legenda, até que próximo do final algum personagem comenta que o nome dela é diferente para evitar problemas com direitos autorais. Só então notei que eu estava lendo errado.

Falando em final, ele é muito bom. Faz um show de auto-referência, detona outros filmes da franquia e encerra tudo de uma forma bem maluca e inesperada. Eu fiquei muito curioso se um dia vai rolar alguma sequência, após ver aquela doideira toda.
Os fãs das antigas vão adorar rever seus personagens favoritos das zoeiras do cinema. Não sei se um novo público pode ser conquistado agora. Mas pelo que ando vendo, as primeiras impressões do público têm sido melhores que as dos críticos.
“Todo Mundo em Pânico” (2026) estreou dia 4 de junho nos cinemas.
ANÁLISE
Todo Mundo Em Pânico (2026)
Personagens clássicos dessa franquia de paródia retorna para atirar para todos os lados mais uma vez
PRÓS
- O estilo clássico dos primeiros filmes da franquia está de volta
- As piadas critícam todo mundo. Ninguém sai ileso.
- Quantidade absurda de filmes e séries atuais parodiadas
- O roteiro sabe brincar até com os problemas da franquia
CONTRAS
- Apesar da grande quantidade de piadas, algumas não tem tanta graça com as dos filmes anteriores
- Em vários momentos a narrativa perde a fluência e o filme parece uma colagem de várias esquetes desconexas
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