Em 2013 a Ubisoft lançou um dos Assassin’s Creed mais aclamados pelos fãs. E agora, em 2026, ele chega totalmente reformulado em um remake conhecido como Assassin’s Creed Black Flag Resynced.
O jogo foi desenvolvido pela Ubisoft Singapura em parceria de outros estúdios e está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC Windows (via Ubisoft Store, Steam –com verificação para Steam Deck – e Epic Games Store).
A engine usada é a Anvil em sua versão mais recente, sendo a mesma de Assassin’s Creed Shadows. Embora seja um remake bastante fiel, há melhorias em todos os pontos: gráficos atualizados, jogabilidade aprimorada, novo sistema de furtividade, parkour mais fluido e até mesmo novos conteúdos de história.
Ambientado na Era de Ouro da Pirataria, novamente estamos na pele de Edward Kenway, um pirata que, por uma ironia do destino, acaba se disfarçando de um Assassino e se vê envolvido num conflito secular contra os Templários. A história do remake é a mesma do jogo original, mas como dito anterioremente, existem mais elementos que complementam sua história através de novos personagens e novas áreas para explorar.
A maior vantagem de estar rodando numa engine mais moderna, é que o jogo acontece todo em um mapa só. No original, havia uma separação entre as seções de navegação e de exploração das ilhas. Assim, toda vez que o jogador ia para terra firme havia uma tela de carregamento. Agora existe apenas uma animação de poucos segundos para o navio atracar.
Além disso, há uma nova camada de complexidade dos cenários: o fundo do mar pode ser explorado por inteiro e a qualquer momento, basta mergulhar. Na versão anterior, Edward nadava muito próximo da superfície e só podia ir mais fundo em locais pequenos e específicos durante a seção de navegação.
Os gráficos estão muito mais detalhados, abusando de efeitos de iluminação e sombreamento. Não existe somente uma melhora de texturas, os modelos de personagens, roupas e objetos foram refeitos. Os cenários também tem um detalhamento muito maior, com mais elementos preenchendo lugares que antes eram muito simples.
Isso é notavel tanto nas pequenas cidades como em lugares mais afastados, nas florestas, fortes, navios… Como exemplo, se no jogo anterior você via uma cabana montada numa clareira com poucas árvores em volta, agora ela está rodeada por um gramado, com caixas de madeira, pequenos vasos, cordas, um tronco de árvore quebrado ao lado. E tudo acompanhado de iluminação indireta passando entre as folhas de árvore, enquanto vê reflexos do ambiente em algumas poças dá’gua.

Ainda existe a passagem de tempo dinâmica, transformando a noite em dia. E efeitos de clima constantes como chuva e neblina.
A alta resolução do jogo também ajuda a deixar os detalhes ainda mais nítidos. E quando você compara com a versão antiga, as diferenças ficam bem claras.
Quando a Ubisoft divulgou o primeiro trailer de Black Flag Resynced, muitas pessoas ficaram se questionando se ele manteria seu estilo de jogo clássico ou se mudaria para o estilo RPG dos Assassin’s Creed atuais.
Nessa questão, ele lembra muito Assassin’s Creed Mirage. O estilo de jogo é mais parecido com o clássico, porém, tem algumas influências do estilo RPG relacionado a combate e equipamentos.
Não há contador de níveis. Não há pontos de experiência. Mas ainda assim, você desbloqueia algumas habilidades novas conforme derrota inimigos e troca de equipamentos, assim como era no jogo original.
Nos primeiros jogos da franquia Assassin’s Creed, o combate tinha um estilo próprio, baseado em bater ou defletir o inimigo, dependendo da animação que ele fizesse.
Do AC3 até o AC Rogue, o estilo de combate passou a ser muito inspirado nos jogos da série Arkham, do Batman. Onde você fazia uma sequência de ataques em um inimigo até que um indicador aparecesse, indicando que outro inimigo estava próximo de atacar. Assim, o jogador apertava o botão do contra-ataque, acertando esse outro inimigo e mudando seu alvo.
Em AC Unity e Syndicate tivemos um esquema diferente que tentava mesclar as duas jogabilidades existentes até aquele momento.
Mas a partir de Origins (indo até o Shadows), o esquema de combate passou a se inspirar muito no que vemos em jogos como Dark Souls e seus derivados.

Esse foi o estilo de combate utilizado em Black Flag Resynced. Quando o jogador trava sua mira em um inimigo, ele pode atacar e tem dois tipos de ataque para lidar. Um deles pode ser defletido e outro, indefensável, obriga a desviar.
Os inimigos tem uma postura que deve ser quebrada conforme leva ataques comuns. Quando isso acontece, os golpes passam a causar dano de verdade.
Não espere por aqueles superpoderes de AC Odyssey ou Valhalla, porém, Edward possui alguns movimentos especiais que tornam as lutas mais interessantes.
Com o botão RT ou R2, surge um submenu com habilidades especiais. Você pode chutar um inimigo para longe, puxá-lo com uma corda, dar uma rasteira ou atirar com sua arma de fogo.
Essas habilidades podem ser combinadase tornar os combates mais imprevisíveis.
Você pode conseguir uma grande variedade de espadas, porém, elas são divididas em apenas três categorias. O que diferencia elas são a forma como são feitos os ataques comuns.

E você pode conseguir algumas armas raras de categoria dourada que trazem habilidades exclusivas.
No geral, o combate parece um pouco mais limitado por não haver tantas opções de habilidades ou de armas como nos AC de RPG. Mas, como todos os inimigos possuem nível e ponto de vida fixo, dá para o jogador ir aprendendo como lutar e melhorando com o tempo.
Um ponto negativo é que não é possível mais lutar desarmado e também não dá para roubar a arma dos inimigos. Talvez seria muito complicado adaptar isso para o estilo de combate usado no jogo?
Para quem gosta do visual de uma arma específica, existe a opção de poder equipar qualquer arma e trocar pela aparência de outra.
No campo da furtividade eu não notei diferenças muito grandes, embora existam. Os dardos de sono ou de loucura voltaram e ajudam a resolver problemas de longe. A bomba de fumaça continua apelona, permitindo que o jogador assassine vários inimigos numa pequena área sem ser visto.
E as formas de matar furtivamente estão mais bonitas e variadas. Quando o jogador esta no alto e pega um inimigo com a corda, Edward agora puxa o inimigo pra cima, lembrando o Batman em seus jogos mais recentes.
Sobre os controles da movimentação do Edward, eu achei ele mais pesado, no geral. Quando eu dava um leve toque no analógico, querendo que o Edward desse meio passo, ele andava uns dois passos. Achei isso meio estranho, e se não estou enganado, isso funcionava melhor no jogo anterior.
Mas um elemento que melhorou muito na movimentação é poder andar agachado sem fazer barulho. Enquanto no jogo original você só conseguia agachar quando estava nas moitas, agora dá para se mover rapidamente e perder menos tempo para assassinar inimigos que não estão te vendo.

As batalhas navais funcionam como eram nos jogos anteriores da franquia. Eu não lembro exatamente se os tipos de ataque disponíveis são os mesmos do jogo anterior. mas há uma boa variedade deles. Um detalhe que senti falta logo no início foi sobre aquele tipo de seta branca usada para mirar nos navios inimigos. Nos outros jogos, ela fica vermelha para indicar que pode acertar se o jogador confirmar os tiros naquele momento. Em Black Flag Resynced isso infelizmente não acontece.
Existem alguns fortes na beirada das ilhas que podem ser enfrentados em alto mar. E também aparecem pelo mapa alguns navios lendários que são bem difíceis de enfrentar.
As caçadas de animais também retornaram e eles dão um pouco mais de trabalho para serem abatidos. Isso força o jogador a pensar e esquivar antes de fazer seus ataques. Aconselho o uso do dardo de sono para conseguir um resultado mais rápido.
Na versão anterior desse jogo, alguns trajes de Edward davam alguns atributos a mais. No entanto, agora todos são apenas cosméticos. Para compensar, agora é possível tirar ou colocar o capuz a qualquer momento e isso não afeta o gameplay.
As partes “modernas” do jogo foram removidas. Não tem mais as missões dentro do prédio da Abstergo, então tudo se passa na pele do Edward mesmo.
Ainda assim, existem algumas missões do Animus espalhadas pelo mapa. Elas fazem o jogador viver alguma variação das histórias e decisões do protagonista. É o modo “What If” e com ele você pode viver esses caminhos alternativos. Infelizmente, eles não vão alterar a história principal do jogo. Não existe um sistema de escolha para mudar os caminhos da história do Edward.
Você pode modificar seu navio e construir sua tripulação. Ao resolver algumas quests para certos personagens, eles são recrutados. Sobre os itens para modificar o navio, você pode desbloquear vários, mas, existem muitas microtransações para conseguir outros.

Falando em DLCs, tem dos mais variados tipos: recursos, mapas e sets completos de roupas ou skins para o navio.
Como existem muitas cenas novas no jogo, a dublagem foi toda refeita. A qualidade é bem variável. Alguns personagens tem boas vozes e outros não. Algumas interpretações de um mesmo personagem pode ser boa num certo momento e ruim em outro. Ao menos, no geral, as vozes funcionam para entender rapidamente a história do jogo.

Assassin’s Creed Black Flag Resynced está sendo vendido por R$ 299 na versão normal e R$ 349,90 na versão Deluxe. A duração para sua campanha principal é de 20 a 25 horas. Sabendo disso, para quem ele seria recomendado?
Apesar da grande quantidade de melhorias, não sei se elas seriam suficientes para quem já jogou a versão anterior e não é tão fã do Black Flag ou da franquia AC. Já para os fãs, aconselho jogar sim, principalmente para poder apreciar as mudanças e conferir as missões novas. Outro público que vai aproveitar bastante é quem nunca jogou o jogo e tem uma grande aventura para viver do começo ao fim.
O sucesso de Black Flag Resynced vai ditar os passos dos próximos remakes da Ubisoft. Ele renova e atualiza muita coisa para os padrões de jogos atuais e seria muito bom ver isso em outros jogos da franquia. Talvez, o que mais merece essa repaginada é o primeiro Assassin’s Creed.
Ele foi revolucionário em sua época, porém, era muito experimental e repetitivo, comparando com sua sequência. Tenho certeza que se a Ubisoft fizer uma enquete com os fãs para saber qual jogo deveria ganhar o próximo remake, tenho certeza que a primeira aventura com o Altair ganharia de lavada.
A Ubisoft nos enviou uma cópia de Xbox Series do jogo para a criação dessa análise.
ANÁLISE
Assassin’s Creed Black Flag Resynced
Recynced é a versão de Black Flag que atualiza os gráficos e a jogabilidade para os padrões de 2026
PRÓS
- Gráficos atualizados e modelos 3D refeitos
- O todo acontece em apenas um mapa enorme
- É possível explorar o fundo do mar em qualquer ponto do mapa
- Novos personagens e novas histórias
- Novos tipos de missão e personalização da tripulação
CONTRAS
- Alguns elementos de batalha foram removidos
- Algumas vozes na dublagem não combinam muito com os personagens
- O preço pode afastar quem já dissecou o jogo original
- Conteúdos relacionados às expansões do jogo original ainda não foram confirmados para o remake
![[Game] Análise – Assassin’s Creed Black Flag Resynced](https://i0.wp.com/www.88milhas.com.br/wp-content/uploads/2026/07/88milhas_BlackFlagReview08.jpg?resize=1140%2C510&ssl=1)


















