Prepare suas fichas ou seu cartão de arcade de shopping center pois “Street Fighter” chegou aos cinemas! Ou seria melhor dizer “retornou aos cinemas”?
O novo filme baseado na franquia de jogos de luta da Capcom foi produzido pela Legendary e distribuido pela Paramount Pictures. Nós conferimos antecipadamente e aqui está a crítica do 88milhas!
Sinopse
Ambientado em 1993, os lutadores Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo) são colocados de volta no combate quando a misteriosa Chun-Li (Callina Liang) os recruta para o próximo World Warrior Tournament: uma brutal briga de socos, destino e fúria. Entretanto, por trás desse campeonato, se esconde uma conspiração mortal que os força a encarar um ao outro e os demônios do passado. E se eles não fizerem, é game over!
Elenco
No elenco principal, além de Koji, Centineo e Liang, estão Joe “Roman Reigns” Anoai, como “Akuma”; David Dastmalchian, como “M. Bison”; Cody Rhodes, como “Guile”; Andrew Schulz, como “Dan Hibiki”; Vidyut Jammwal, como “Dhalsim”; Eric André, como “Don Sauvage”; Curtis ‘50 Cent’ Jackson interpreta “Balrog”; e Jason Momoa está no papel de “Blanka”, personagem brasileiro do jogo.
A ideia principal
O enredo dos jogos da franquia Street Fighter nem sempre foi o mesmo. Conforme novos títulos foram surgindo, a história foi ficando mais complexa e alguns acontecimentos antigos foram modificados. O novo filme usa como base a versão mais recente dessa história e, de certa forma, consegue ser bastante fiel.
Ao se passar em 1993, o filme recria o torneio do jogo Street Fighter 2, enquanto que as cenas de flashback retratram o anterior, Street Fighter, de 1987.
As diferenças começam quando sabemos que, após a vitória do primeiro torneio, os amigos Ryu e Ken se separam.
Os World Warriors
Ryu passa a ter uma vida reclusa e abandona as lutas. Isso acontece porque seu mestre foi assassinado e também porque ele despertou um poder maligno durante a última luta no torneio onde foi vitorioso.
Ken perde o espirito de luta, passa a viver de festas, bebedeiras e, mesmo sendo rico, ganha a vida fazendo comercias para produtos de qualidade duvidosa, Ele também faz aparições em programas de TV, aproveitando da fama que teve enquanto foi um lutador.
Os demais lutadores também tem origens e motivações diferentes das encontradas nos jogos. O caso que mais chama atenção é a Chun-li que trabalha para o vilão M. Bison e tem a missão de recrutar participantes para o próximo torneio. Chun-li continua sendo uma infiltrada da polícia internacional e também busca vingança contra seu novo chefe por ter matado seu pai no passado. No filme vimos até onde ela consegue ir para concluir seus objetivos, mas trabalhar para o Bison foi algo inesperado.
E. Honda, Dhalsim e Zangief são bem fieis à suas versões dos jogos, mesmo que não tenham muito desenvolvimento no filme. Quem sofre mais com isso é Guile, que é totalmente inútil, aparece lutando poucas vezes e acaba sendo mais um persoangem de alívio cômico. Pelo menos o formato do seu cabelo é igual ao dos jogos.
Dan Hibiki mudou bastante, se tornando o empresário de Ken (ainda que tenha continuado a ser um lutador). Ele nem mesmo é japonês, mas é um cara que curte a cultura nipônica. Isso me lembrou a história de Sodom (de Street Fighter Alpha e Final Fight).
M. Bison está muito mais maligno do que sua versão do filme dos anos 90. Aqui ele expande seus poderes psíquicos ao sugar energia dos lutadores mais fortes do mundo. Ele simplesmente criou o novo torneio apenas para atrair Ryu e roubar sua força Hadou.
Bison também conta com seu exértico de Dolls, que são suas guarda costas, e a líder é a Cammy. No filme, ela ainda está sob domínio psíquico e age de uma forma muito maluca, lembrando a Arlequina, vilã do Batman.
Como alguns lutadores não puderam participar do torneio (tipo a Chun-li que está resolvendo seus problemas com o Bison), o jeito foi trazer alguns personagens menos prestigiados como Joe, do primeiro Street Fighter.
Quem teve um tratamento bom e inesperado foi Blanka (ponto para o Brasil!). O personagem tem algum desenvolvimento no filme e até mesmo mais importância que os demais no desenrolar do enredo principal.
Andamento do Filme
O longa começa mostrando o final do primeiro torneio, de 1987. E sempre que temos essas cenas no passado, o filme mostra cenas em animação extremamente bem feitas. Elas pegam emprestado a estética dos animes japoneses e entregam lutas com bastante impacto. Existe no YouTube até mesmo making of apenas dessas cenas e vale a pena dar uma olhada.
Quando chegamos no presente de 1993, somos ambientados com tudo o que era famoso nessa época. Canais de esporte, MTV e muita música licenciada. A trilha sonora do filme é muito boa e vai agradar quem curtia a cultura pop dos 90’s. Elas tocam a todo momento no filme, então, pode ser que não agrade a todos.
Mesmo estando relutante de início, Ryu acaba aceitando o chamado de Chun-li para ir ao torneio. E o mesmo acontece com Ken. Os dois amigos tem questões a acertar e isso vai sendo desenvolvido aos poucos.
Depois disso, basicamente tudo se passa em Metrolao City, a cidade extremamente urbana e meio decadente onde fica o covil de M. Bison. De início, dá para sentir uma vibe que aparece nos filmes de Mortal Kombat. Mas depois isso passa, pois o foco não fica tanto nas lutas. Sempre tem algo acontecendo ao mesmo tempo em que os lutadores entram no ringue.
Um dia antes de começar o torneio temos uma briga numa balada, onde alguns personagens já são desclassificados ali mesmo e outros vão presos. Depois disso, as coisas ficam um pouco confusas.
Eu estava achando que o local do torneio e a prisão ficavam no mesmo lugar, mas depois vi que não. Durante as lutas, alguns personagens tomam decisões inesperadas, sem algo concreto que os motivasse a fazer isso. Você vê uma pessoa tentando escapar de um lugar e pensa “mas ela não tinha que resolver algo antes de sair daí?”.
As lutas principais acabam sendo rápidas, algumas nem são mostradas. E acabamos vendo mais o Ryu lutando mesmo.
Os golpes especiais dos jogos estão presentes no filme, mas não em todo momento. Os trailers passaram a impressão de que veríamos Hadoukens, Sonic Booms e Yoga Fires sendo disparados para todo lado e a todo momento. No entanto, o longa se segura um pouco nesse quesito. Tem muita troca de golpes normais também.
Quando Ryu entra em ação temos bons momentos de luta. Embora seja uma coreografia mais fantasiosa, os golpes tem bastante impacto. E os combates finais são muito bonitos.
No geral, a montagem do filme ficou um pouco bagunçada. Muitas cenas aparecem de forma intercalada, talvez para tentar dar dinamismo, só que o resultado é estranho e desconjutado. Tem vezes que acontece algo impactante e que precisa de uma resolução rápida. Mas aí, troca pra outra cena com um assunto completamente diferente e aquilo que foi construido antes demora para ter uma resposta.

O final é ainda mais confuso. Após a vitória na última luta, vemos os protagonistas se reunindo e se reagrupando. Quando ficamos sabendo de algo terrível feito pelos vilões, o filme acaba DO NADA. Não parece que estamos vendo um encerramento. Até porque nem tudo que a história apresentou foi resolvido.
E no meio dos créditos aparece uma cena para dar a dica de uma possível continuação. Foi muito otimismo dos roteiristas prepararem algo do tipo, mesmo sem saber qual seria a recepção do público sobre o filme.
Não quero dizer que o filme é terrível. Ele até que seguiu bem a história base dos jogos. Em termos de fidelidade, ele acerta bem mais que o filme dos anos 90, ainda que tenha muitos tropeços.
Dessa vez tivemos mais personagens que realmente lembram suas versões dos jogos. O destaque negativo fica para Guile e mesmo o Ken, que ficou meio bobão e burro demais. Originalmente ele só é um cara mais impulsivo que o Ryu, preferindo usar mais a agilidade do que a força durante a luta.

Vi um pessoal reclamando dos efeitos especiais, mas isso não me afetou. Quando são usados em golpes eles são muito bonitos (o Psycho Crusher do Bison, por exemplo). A coisa só desanda um pouco quando mostram planos abertos da Metrolao City.
Como manda a cartilha dos filmes de ação atuais, existem piadinhas a todo momento e elas são um mix entre boas e ruins. Eu ri do “Ryunited” e percebi que os estadunidenses aprenderam que o nome do Ryu não é “Reye-you”. Se não me engano, só o Blanka chama ele de forma errada.
Em todo o filme temos uma grande saturação de cores e muitas sombras nas cenas. Tem lutas que nem dá para ver direito. Eu não consegui perceber os detalhes da roupa da Chun-li, por exemplo. Queria ver se ficou fiel aos jogos, mas não consegui. Também tem o fato que ela é chamuscada logo no início de sua luta principal e a roupa fica escura.
Conclusão
Street Fighter de 2026 está longe de ser perfeito. Mas existem pontos positivos nele.
Quem produziu mostrou que conhece os jogos, de alguma forma. A animação sem dúvidas ajuda a tornar o filme mais interessante, é o que dá a liga em tudo.
O elenco não é ruim, embora tenha sido mal aproveitado pelo roteiro e pela montagem de cenas.
Muitos elementos dos jogos, além das lutas, foram adaptados de uma forma que funcionasse no roteiro. Como exemplo, o Ken aparece destruindo um carro num programa de TV, assim como era o Bonus Stage do jogo. Quando anunciam na TV que Ryu e Ken poderão se enfrentar no novo torneiro, surge uma animação com a cabeça deles numa tela de fundo azul e um símbolo de VS. no centro, imitando a “Tela de Versus” dos jogos.

Assim, pode ser que uma boa parte dos fãs da franquia acabe gostando do filme. Já que existem muitos easter eggs aparecendo a todo momento.
Para quem não conhece nada sobre Street Fighter ou videogames, acho mais difícil de gostar. Talvez, o filme possa soar meio bobo e o fato de não explicar muitos elementos que surgiram nos jogos, pode atrapalhar ainda mais.
O narrador do torneio tem um destaque que não precisava, ele é muito mala. Descobri que ele aparece bastante porque o ator é amigo do diretor do filme. Ou seja, foi um erro que poderia ter sido evitado.
Assim como aconteceu com o reboot de Mortal Kombat (2021) nos cinemas, espero que se esse Street Fighter tiver uma continuação, ela consiga corrigir os problemas que comentei aqui.
ANÁLISE
Street Fighter (2026)
Uma releitura para o cinema da franquia de jogos de luta Street Fighter. Acerta em alguns pontos e erra em outros.
PRÓS
- Alguns personagens são fieis aos jogos
- Muitas referências para os fãs
- O Akuma tem barba mas não é o atual "Mufasa" dos jogos
- Trilha sonora de primeira
- Cenas em animação são caprichadas
CONTRAS
- Montagem do filme é esquisita
- História acaba do nada
- Muitos plots ficam sem resolver
- Alguns personagens são inúteis e outros estão muito descaracterizados
![[Filme] Crítica – “Street Fighter” (2026)](https://i0.wp.com/www.88milhas.com.br/wp-content/uploads/2026/10/88milhas_StreetFighter_Filme01.jpg?resize=1140%2C510&ssl=1)






![[Filme] Crítica – “Street Fighter” (2026)](https://i0.wp.com/www.88milhas.com.br/wp-content/uploads/2026/10/88milhas_StreetFighter_Filme01.jpg?fit=1140%2C510&ssl=1)
![[Filme] Crítica – “Overman – O Filme”](https://i0.wp.com/www.88milhas.com.br/wp-content/uploads/2026/10/88milhas_Overman_01.jpg?fit=1140%2C510&ssl=1)









